A Evolução da Metrologia Dimensional

Um dos vestígios mais antigos de civilização Caldea pode ser visto no Museu do Louvre em Paris. É um casal de reis-deuses Gudea , que suportam sobre os joelhos uma régua graduada que era a medida legal na cidade de Lagash. Tem 2 traços a uma distância de 264,5 mm e esta dividida em 16 partes iguais, das quais as três de um extremo estão divididas em 12 e 18 partes iguais.

No Egito o ante-braço do Faraó reproduzido em granito (para evitar desgaste) era a medida legal e chama-se AUNA.

No período entre 1792 a 1789 dois físicos franceses Delambre e Mechain, mediram por processos e métodos correntes de topografia (triangulação) a distância entre Dunkerque na França e Montjuich em Barcelona na Espanha, o primeiro medindo o arco entre Dunkerque e Rodes e Montjuich, usando como unidade de medida a TOESA que era a unidade de comprimento naquele tempo na França. A diferença entre as duas cidades Dunkerque a Barcelona era conhecida: 9°38' por cálculo passou-se a 90° do quadrante da terra.

Baseados nestes cálculos o físico Fortin fabricou uma barra de platina de seção retangular de comprimento entre as faces finais, correspondentes a décima milionésima parte do quadrante da terra a temperatura de 0°C. Esta medida padrão de comprimento chamou-se de Metro dos Arquivos. Esta barra de platina de seção retangular, serviu para definir o padrão no quail o comprimento é definido pela distância entre as duas superfícies das extremidades. Em 1886 a empresa JOHNSON-MATTHEY de Londres com um desenho de HENRY TREXCA, produziu 30 barras fundidas em platina iridiado a 10% (90% de platina, 10% irídio) de seção em forma de X. Em setembro de 1889, na Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) declarou-se que este "Metro Internacional deverá representar a temperatura de fusão do gelo a unidade métrica de comprimento".

Em outubro de 1960 na 11° Conferência Geral de Pesos e Medidas resolução 6, foi definido o metro como: "O metro é o comprimento de 1 650 763,73 comprimentos de onda, no vácuo, da radiação correspondente a transição entre os níveis 2p10 e 5d5 do átomo de criptônio 86".

Já em outubro de 1983 na 17° Conferência Geral de Pesos e Medidas definiu-se o metro como: "A distância percorrida pela luz, no vácuo, durante o tempo de 1 / 299 792 458 de segundo".

Toda fez que se pretende medir algo, há a necessidade de possuir um instrumento de medição. Como todo instrumento de medição, estes possui algumas recomendações a serem seguidas para sua manipulação nas quais deverão ser tomadas para garantir uma maior vida útil do mesmo.

Blocos Padrão

Por volta do século XVIII o cientista Sueco Cristopher Polhem elaborou uma barra que contava com diferentes espessuras e o que era o prenúncio dos primeiros blocos padrões. Em 1890 Hjalmer Ellstrom, fabricante de armas, desenhou um bloco com suas superfícies paralelas para inspecionar rifles, e em 1910 Carl Edward Johansson descobriu que poderia obter qualquer valor entre 2 a 202mm utilizando um conjunto 111 blocos, ou algo em torno de 200 000 combinações.

Um bloco padrão deverá atender a requisitos dimensionais, geométricos, de aderência, estabilidade dimensional ao longo do tempo, dureza, resistência ao desgaste, e resistência à corrosão entre outros fatores. Os Blocos Padrão estão divididos em classes que são: 00, 0, 1 e 2 de acordo com as normas DIN, JIS e ISO os quais são mostrados na tabela abaixo.

Classe µm
Comprimento Nominal (mm) 00 0 1 2
De 0,5 a 10 ± 0,06 ± 0,12 ± 0,20 ± 0,45
Acima de 10 a 25 ± 0,07 ± 0,14 ± 0,30 ± 0,60
Acima de 25 a 50 ± 0,10 ± 0,20 ± 0,40 ± 0,80
Acima de 50 a 75 ± 0,12 ± 0,25 ± 0,50 ± 1,00
Acima de 75 a 100 ± 0,14 ± 0,30 ± 0,60 ± 1,20
Acima de 100 a 150 ± 0,20 ± 0,40 ± 0,80 ± 1,60
Acima de 150 a 200 ± 0,25 ± 0,50 ± 1,00 ± 2,00
Acima de 200 a 250 ± 0,30 ± 0,60 ± 1,20 ± 2,40
Acima de 250 a 300 ± 0,35 ± 0,70 ± 1,40 ± 2,80
Acima de 300 a 400 ± 0,45 ± 0,90 ± 1,80 ± 3,60
Acima de 400 a 500 ± 0,50 ± 1,10 ± 2,20 ± 4,40
Acima de 500 a 600 ± 0,60 ± 1,30 ± 2,60 ± 5,00
Acima de 600 a 700 ± 0,70 ± 1,50 ± 3,00 ± 6,00
Acima de 700 a 800 ± 0,80 ± 1,70 ± 3,40 ± 6,50
Acima de 800 a 900 ± 0,90 ± 1,90 ± 3,80 ± 7,50
Acima de 900 a 1000 ± 1,00 ± 2,00 ± 4,20 ± 8,00

Conforme comentado anteriormente, os blocos padrão deverão atender a diversos requisitos técnicos. Veremos abaixo alguns destes requisitos.

L - tamanho em mm
Classe Tolerância (µm)
00 e 0 0,02 ± 0,0005L
1 e 2 0,05 ± 0,001L

Procedimento de Colagem

Para se obter determinados valores com blocos padrões, há a necessidade de combiná-los, ou seja, usa-se um conjunto de blocos sendo que para se ter o valor desejado será necessário "colá-los". Antes da realização da colagem é necessário que se observe alguns itens os quais estão relacionados abaixo:

Há diferença entre a colagem de blocos padrões grossos e os blocos padrões finos:

Blocos Padrões Grossos

Blocos Padrões Finos

Escolha dos Blocos Padrões

Quando da escolha dos blocos padrões deverá ser levado em consideração o menor número possível de blocos padrões e selecionar sempre que possível blocos mais espessos. Nada melhor que um exemplo para mostrar como selecionar os blocos padrões.

Considerando que temos um conjunto de blocos com 112 peças, vamos selecionar os blocos padrões necessários para conseguirmos o valor 35,745 mm. Usaremos os blocos padrões de: 1,005 mm, 1,240 mm, 13,500 mm e 20,000 mm. Somando os blocos padrões conseguimos 35,745 mm.

Cuidados com Blocos Padrão Após Sua Utilização

Após o uso dos blocos padrão é necessário que:

Caso um determinado bloco não seja utilizado, é aconselhável que seja realizado uma verificação quanto a oxidação.

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